Metal e Vinho
Existem muitas coisas na vida que exigem um certo grau de conhecimento a fim de serem aproveitadas ao máximo, e nos proporcionarem o prazer capaz de nos proporcionar.
O metal, incluindo todas as suas vertentes, é um estilo musical refinado. Requer ouvidos treinados e atenção do ouvinte, para que ele possa perceber e apreciar todos os seus detalhes. Não é qualquer cabeça-de-bagre que vai ouvir Ayreon e assimilar toda a riqueza de detalhes da música.
Sou um apreciador do metal já faz muito tempo. Posso afirmar que sei ouvir metal. Cosigo captar a harmonia e o peso da música, distinguir a safra antiga da nova, diferenciar as músicas pelas palavras.
Há pouco tempo comecei a aprofundar meus conhecimentos no mundo da enofilia, e percebo que em muitas maneiras, não se trata de algo diferente. O bom vinho requer conhecimento do degustador, a fim de ser capaz de proporcionar todo o prazer para o qual é destinado.
Óbviamente o paladar destreinado é capaz de se esbaldar bebendo um bom vinho, ainda mais se for acompanhado de uma boa refeição e, por que não, das pessoas certas. Mas apenas aqueles que tem uma base de conhecimento, e não menos importante, de comparação, são capazes de desfrutar completamente de uma boa garrafa de vinho, identificar tudo o que ela tem para oferecer.
Assim acontece com o bom metal. Qualquer um pode se empolgar com um riff pesado de guitarra e sentir seu sangue borbulhar, mas apenas aqueles com um bom discernimento conseguem realmente compreender do que se trata o som, e que ele é muito mais profundo que um rótulo. Quem conhece do assunto é que realmente sabe que o vinho, assim como o metal, tem vida, e pode mudar de um dia para o outro, dependendo da ocasião.
















