Texto contribuição:
Meu amigo e freqüentador da toca, Floyd, mandou-me este excelente artigo de autoria dele e pediu-me para que publicasse por aqui para ver o que o pessoa acharia. Apesar do assunto distoar do assunto corriqueiro da Toca e até mesmo do estilo, visto que é bem mais sério, ele não distoa de modo algum da maneira como pensamos e é por isso que eu tenho grande honra em apresenta-lo.
Outrossim, como eu sei que a maioria não o lerá, tomei a liberdade de colocar alguns atrativos entre os parágrafos!
Do fascio busheano
Em 1922 na Itália, é estabelecido, tendo como seu representante maior Benito Mussolini, um novo exercício de governo: o fascismo. Tendo como pilares para sua concretização práticas antidemocráticas, antiliberais e imperialistas, ele influiu não só na conjuntura política daquele contexto, mas também no pensamento e na prática do homem político que vem surgindo com o neoliberalismo, tendo em vista que esse sistema representa o oposto do que é aquele regime.
Hoje, passadas mais de três décadas [consideradas] neoliberais, a humanidade assiste a um militarismo estadunidense que sugere interesses além econômicos, e que deixa visíveis características fascistas em suas ações de Estado. Mas como entender que no berço do neoliberalismo possam ter sido sustentadas a velhas práticas antidemocráticas, antiliberais e imperialistas? É preciso boa ?dose? de realidade para encarar o fato de o que foi proposto globalmente, só não foi cumprido pela nação que encabeçou a proposição. É esse sistema proposto, um meio para obtenção de lucros voltada para determinada região do globo, e não, como nos foi informado, um exercício da igualdade de direitos assegurada por uma organização internacional? A democracia existe como prática ou será ela apenas uma palavra de efeito moral?
Ronald Reagan _ com sua Guerra Suja _ e George Bush pai _ com sua Guerra do Golfo _ basearam ideologicamente a atual administração estadunidense que, mesmo sob uma ótica não detalhista, deixa claras essas influências. A conjuntura econômica atual conduz o governo ianque à exposição de sua ?cara? num momento em que a máscara se dissolve. Têm-se então alguns traços dessa face imperial contemporânea _ e aqui já se confirma uma característica.
O fato que mais marcou nesses últimos anos foi a corrupção de grandes empresas norte-americanas, entre elas a Enron, inserida no poderoso mercado de gás natural, que maquilava a contabilidade de suas faturas, supervalorizando suas ações para venda. O Estado reagiu instantaneamente com a prisão dos grandes empresários, mas o mais significativo: iniciou uma ação política autocrítica de reordenação de seu poder sobre o mercado interno que, percebeu-se, já não está totalmente ?sobre suas asas?. Juntamente com o 11 de setembro, esse ocorrido sugeriu também vulnerabilidade internacional, e para força maior esse ?império? _ como se anseia tanto _ interveio militarmente, em nome da Paz Mundial _ E como isso é contraditório para a aclamada ordem! _ , invadindo o Afeganistão e o Iraque, ?passando por cima? da decisão contrária da ONU, ?a mais ampla entidade mundial, criada em 1945 basicamente pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial?. Concentrou ainda seu controle político e econômico sobre os países da América Latina, onde, como exemplos, determinou a deposição do presidente do Haiti, tentou _ e tenta _ derrubar o presidente venezuelano Hugo Chavez, luta contra o governo e o povo indígena da Bolívia para que não se faça uso da coca, mantém seus embargos a Cuba, explora, através do NAFTA, o México, enrijeceu as relações econômicas com a maioria dos países, e fortalece sua dominação sobre algumas ilhas. Recentemente esse governo implantou um sistema de segurança interno que exerce vigilância sobre toda _ ou qualquer _ ação de um indivíduo, e intensificou precauções e proibições ao que é estrangeiro, tornando-se mais xenofóbico.
Voltamos então ao questionamento: como se colocam, em meio a esses fatos, a democracia e o liberalismo econômico? No plano inverso?
Reagan e Bush pai se declaravam contra o fascismo assim como Bush filho agora vai a Itália comemorar a ?derrota? desse regime. O geógrafo Milton Santos coloca acertadamente que no contexto neoliberal quem faz política são os grandes empresários e o povo, deixando a concluir que o que há de administração pública é somente burocracia subjugada. Seriam as práticas fascistas do Estado ianque, uma alternativa planejada desde a articulação original desse atual sistema, a essa impotência público-administrativa que quase todas as nações do globo possuem? Tudo o que está sendo escancarado agora é em função das armadilhas que a criatura propicia ao criador. Que se esteja atento a tanta informação.
João Paulo Lemos Pioto
01-07-2004
















