MAS, AFINAL, ISSO E TUDO UM ABSURDO!
Cada dia que passa sinto-me mais entranho, mais me conformo à minha maldita existência, e ao mesmo tempo sinto-me mais inconformado. Estranho não?
Houve um tempo que tive ódio da vida e de tudo quanto existisse. Posteriormente senti um sentimento contrário, de grande amor por essa agitacao de moléculas sem sentido, pois se nada tem sentido intrínseco, que grandiosidade eu ter sentidos capazes de perceber um aspecto de todo esse movimento vital.
Mas mesmo assim, não fui capaz de identificar-me com seres humanos, e passei a apreciar os demais seres vivos. Sentia uma alegria e ternura profundas ao ver os meus cães que vivem sem se preocupar com o que são e porque aqui vivem, ao ver uma trepadeira agarrar-se com suas gavinhas em qualquer brecha, seguindo uma força anterior a qualquer interpretação.
Essa identificação se deve ao fato de dividir a existência com estes seres e considera-los mais sinceros em seu desenvolvimento que minha própria espécie!
Os preconceitos estúpidos, a moral, a falsa moral, a preocupação com a honra e dignidade, bem e mal, dualismos, bah, baboseira!!!
As coinscidências nos levam a pensar em alguma ordem universal racional. Existe realmente uma ordem universal, mas ela é natural, como um impulso, energia em constante transformação, o resto é criação nossa.
A questão é que hoje ainda sinto amor pelas coisas vivas, mas ao mesmo tempo apavoro-me ao vê-las pois somente assim percebo o absurdo de mim mesmo, com meus valores provenientes da minha criação e meus conceitos de justiça e honra.
Renego o cristianismo e ao mesmo tempo percebo que ainda esta enraizado na minha moral, menos que outrora, mais ainda.
Bem, já que sou um ser de CARNE, me resta aproveitar o exíguo tempo que durar esse ponto de vista que chamo de individualidade, com prazeres e busca de sabedoria (outra ilusão), elevar-se a tal altura para rir da existência com escárnio, um profundo escárnio...
Como disse um "ex-estudante" russo "Que fazer, romper de uma vez para sempre, só isso, e suportar a dor. O quê? Nao me compreender? Hás de compreender-me depois... Liberdade e poder, sobretudo poder! Sobre toda criatura que treme e sobre todo o formigueiro! É esse o objetivo! Vê se compreendes!"
Mas como o título ja diz...
















