JOHANNES NA CAPITAL!
Como o título já diz, este que vos escreve está em jornada em Porto Alegre, a fim de tomar posse em um cargo público, o que envolve alguns dias de treinamento e, portanto, passarei aqui a semana inteira.
Terei a oportunidade de observar a vida desses que vivem nessa cidade tão maior aquela que me criei e sempre vivi, e quem sabe transcrever algumas das impressões que tiver.
Por hora tratarei das conversas inúteis para passar o tempo.
Ter uma conversa inútil para passar o tempo e algo extremamente chato e penoso. Na maior parte das vezes nenhuma das pessoas envolvidas quer conversar, mas de alguma forma sentem-se obrigadas, acho que pela obrigação que acham que tem de ser simpáticas e sociáveis.
Isso me veio a mente por causa desse tipo de conversa que tive com o taxista que me trouxe da rodoviária até a casa de um amigo na qual me encontro.
A conversa durou uns três minutos:
Johannes: Bom dia taxista, faz tempo que está chovendo?
Taxista: Desde ontem.
Johannes: Essa chuva estava em Uruguaiana, pois o clima de lá antecede o daqui. Choveu forte?
Taxista: Sim, mas só uns quarenta minutos.
Johannes: Lá tambem.
(... um minuto de silêncio, aproximadamente...)
Taxista: Saiste de lá meia-noite?
Johannes: Nao, sai às dez e meia, demorou oito horas, mas dormi quase toda viagem.
Taxista: Ah!
(... mais um minuto de silêncio...)
Taxista: Como estamos pegando sinal vermelho!
Johannes: Pois é.
(... silêncio prolongado e definitivo...)
Essa foi a conversa longa e profunda que tive com o taxista. Nesses tempos de intervalo eu pensava em que obrigação eu tinha de conversar com o cara, não estava de maneira alguma interessado em saber se ele estava bem ou se tinha alguma doença terminal, se era taxista por necessidade ou se era um milionário excêntrico que tinha um fetiche por dirigir taxi.
O que importava é que ele tinha que me levar aonde eu pedi e eu pagaria pela carona.
Muitas vezes eu sou um hipócrita, principalmente quando encontro alguem que quer travar dialogo inútil demasiadamente prolongado, e me vejo obrigado, por educação, a fazer algumas perguntas para a pessoa ficar falando e eu não ter de pensar naquilo ou me esforçar para criar assuntos.
Não confundam a conversa para passar o tempo com o inicio de relações. Muitas vezes quando se conhece uma pessoa se faz algumas perguntas cretinas, e o assunto é bem superficial, mas com o objetivo que abrir caminho para conhecer melhor, descobrir os gostos e afinidades, para ter um dialogo verdadeiro. Mas algumas vezes a relação verdadeira se origina de uma conversa para passar o tempo bem sucedida.
Bem, mas não posso negar que se a conversa para passar o tempo é prolongada, se pode extrair algum conhecimento do interlocutor. Com um dos caras mais chatos que conheci tive de conviver 5 horas seguidas, aprendi que dá pra plantar azevém com aveia e que o rendimento 61x7 na plantação de arroz é uma boa colheita.
















